Japão Aug 31, 2026Adicionar aos favoritos

Em Kagawa (香川県), uma prefeitura de Shikoku frequentemente ofuscada por suas vizinhas, um santuário oferece uma subida de 785 degraus bem no coração da natureza. Um caminho de peregrinação, uma meditação física e uma das mais belas perspectivas sobre o mar interior do Japão.
Kagawa é a menor prefeitura do Japão em área — e uma das menos conhecidas pelos viajantes internacionais. No entanto, ocupa um lugar especial na cultura japonesa: é o berço dos udon (udon no kuni うどんの国 — "o país do udon"), terra natal de Kūkai (空海, 774–835), o monge budista que fundou a escola Shingon e cujo peregrinação de 88 templos em Shikoku permanece um dos mais importantes do Japão (o-henro お遍路).
A prefeitura faz fronteira com o Mar Interior de Seto (瀬戸内海 — Setonaikai), esse braço de mar entre Honshū, Shikoku e Kyūshū que abriga centenas de ilhas, algumas das quais se tornaram importantes destinos artísticos (Naoshima 直島, Teshima 豊島). É nesse contexto geográfico e espiritual que se insere o santuário e suas 785 escadas.
Em japonês, sando (参道) designa a alameda ou caminho de acesso que leva à entrada de um santuário xintoísta (jinja 神社) ou de um templo budista. Esse caminho tem um significado religioso: marca a transição entre o mundo profano (ke 褻) e o espaço sagrado (hare 晴). Cruzar o torii (鳥居 — o portão vermelho) no início do sando é entrar em outra dimensão.
O sando de Kompirasan (金刀比羅宮 / konpira-san), o santuário xintoísta de Kotohira (琴平) na prefeitura de Kagawa (香川県) — e um dos locais de peregrinação mais venerados de Shikoku, dedicado a Ōmononushi (大物主神), divindade dos mares e da navegação — tem 785 degraus, o que o torna uma das subidas mais notáveis de Shikoku. Ele atravessa uma floresta antiga. As escadas de pedra, cobertas de musgo nas mais antigas, sobem gradualmente sob uma copa que filtra a luz. Cada patamar oferece uma pausa natural, um novo enquadramento da paisagem, uma nova oportunidade de silêncio.
785 degraus são cerca de 30 a 45 minutos de subida para um caminhante de ritmo normal, dependendo da forma física e do tempo de contemplação no caminho. Não é uma trilha técnica — é uma caminhada meditativa.
A chegada ao santuário propriamente dito, após essa subida, tem algo de diferente do que se sente ao tomar um funicular ou um ônibus. A altura foi conquistada. O corpo está envolvido, a respiração é diferente, a percepção do espaço é modificada.
O panorama a partir do Kompirasan oferece uma vista do Mar Interior de Seto — uma das paisagens mais características do oeste do Japão, com suas ilhas espalhadas e seu horizonte marítimo entre as colinas. No outono, os momiji (紅葉 — bordô) adicionam uma camada de cor que torna o local ainda mais fotografado.
Essa escadaria de 785 degraus é uma boa metáfora para Kagawa em si: um destino que exige um esforço extra de atenção, que não se impõe de imediato, mas que recompensa aqueles que se dedicam a ele. Entre os udon artesanais a 200 ienes a tigela, as ilhas de arte do Mar de Seto, os 88 templos da peregrinação de Shikoku e os santuários de montanha como o Kompirasan, Kagawa é uma das prefeituras japonesas mais subestimadas para viagens lentas e atentas.
Se você planeja uma estadia em Shikoku, não cometa o erro de atravessá-la sem parar.
Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.