O Zilog Z80 comemora 50 anos: crônica do chip que povoou nossos quartos de adolescente

Seguimento do caso : Puces légendaires : chroniques des CPU qui ont formé les geeks· Episódio 1/4

Retro Jul 19, 2026Adicionar aos favoritos

O Zilog Z80 comemora 50 anos: crônica do chip que povoou nossos quartos de adolescente
Ilustração : Momiji Shirogane

Cinquenta anos após sua introdução em 1976, o Zilog Z80 continua sendo um dos chips mais produzidos da história. Revisitamos sua essência, suas máquinas e seus legados.

Uma lembrança de oficina

Nós nos lembramos da primeira vez em que ouvimos o nome « Z80 » — página 22 de um manual de programação Amstrad CPC 464, empurrado por um primo que sabia que tínhamos acabado de abrir a caixa de presente no Natal. Na época, não sabíamos que aquele mesmo chip já batia dentro de um Sinclair ZX Spectrum vizinho, de um MSX de um amigo mais tokyoïte, e — alguns anos depois — na nossa Game Boy verde transparente.

A origem (1976)

O Zilog Z80 foi projetado por Federico Faggin, ex-Intel — criador do 4004 (o primeiro microprocessador comercial, 1971) e do 8080 (1974). Faggin fundou a Zilog em 1974 com Ralph Ungermann e Masatoshi Shima (嶋 正利, engenheiro japonês que já havia trabalhado no 4004 na Intel). O chip foi lançado comercialmente em julho de 1976.

Compatível em software com o 8080, mas melhor equipado — registradores alternativos (AF', BC', DE', HL'), instruções adicionais para manipulação de blocos (LDIR, LDDR), única alimentação de 5V (contra três do 8080) — varreu rapidamente seu irmão mais velho da Intel nos micros domésticos.

As máquinas que o carregaram

  • Sinclair ZX80 (1980), ZX81 (1981), Spectrum (1982) — Reino Unido, a era da microinformática de massa. Clive Sinclair levou um milhão de lares britânicos para a informática.
  • Amstrad CPC (1984) — a França encontrou sua entrada na informática doméstica. Alan Sugar e sua tela colorida incluída na caixa.
  • MSX (1983) — um padrão japonês impulsionado pela ASCII (Kazuhiko Nishi, 西 和彦) e pela Microsoft Japão, com a Konami no topo dos jogos. Coração do lar geek nipônico dos anos 1980.
  • TRS-80, Osborne 1, Commodore 128 nos Estados Unidos.
  • Game Boy (1989) e Game Boy Color (1998) — não um Z80 puro, mas um Sharp SM83 que retoma a essência de seu conjunto de instruções. Coração silencioso da Nintendo portátil por duas décadas.
  • Sega Master System e Sega Game Gear — sem esquecer seu uso como coprocessador de áudio na Mega Drive (Sega Genesis nos Estados Unidos).
  • Pachinko japonês, placas de arcade, calculadoras TI (até a TI-84 Plus) — o longo rastro industrial, discreto, mas colossal.

O que o Z80 nos ensinou

O Z80 permaneceu simples o suficiente para que um adolescente de 14 anos, com um manual, um quarto trancado e seis meses de paciência, pudesse programar em linguagem de montagem um pequeno jogo que rodasse. Essa pedagogia do acesso direto ao hardware — escrever uma instrução, ver um pixel aparecer — formou toda uma geração de desenvolvedores europeus e japoneses.

No Japão, duas figuras vêm à mente. Yūji Naka (中 裕司) escreveu suas primeiras linhas de código nas máquinas Sega baseadas em Z80 — foi na Master System (Sega Mark III) e em seus sucessores que ele se aprimorou antes de Sonic. Kenji Eno (飯野 賢治), futuro criador de D e Enemy Zero, aprendeu programação no MSX na adolescência. Duas trajetórias que lembram que a cena japonesa MSX/Sega foi tão formadora quanto a britânica Spectrum/Amstrad.

O que resta em 2026

A Zilog anunciou no final de 2024 o fim da produção do Z80 tradicional em encapsulamento DIP — um choque simbólico na comunidade retro. Mas o silício ainda não disse sua última palavra: compatíveis taiwaneses (Xilinx), núcleos VHDL de código aberto (T80 de Daniel Wallner, ou T80s), implementações em FPGA (projeto MiSTer) continuam a rodar código Z80 para a eternidade.

O CP/M — velho sistema operacional que rodava em Z80 nos anos 1970-80 — foi liberado em 2022 pela Kildall Family Trust. Hoje, é possível baixar o CP/M gratuitamente e rodá-lo em um emulador em cinco minutos.

Nossa nota de amador

Se você nunca escreveu uma linha sequer de linguagem de montagem Z80, tente o exercício em um emulador de Spectrum. Um LD A,255 seguido de OUT (254),A que faz a borda da tela piscar ainda hoje é um dos mais belos « hello world » da história da informática.

Cinquenta anos. Nenhum chip doméstico jamais durou tanto em tantos papéis diferentes. Feliz aniversário, velho amigo.

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Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.

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Toshiro HayashiRetro columnist
Retro columnist, 8/16-bit console collector, living memory of the 80s-90s.
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